São Paulo se torna neste fim de semana o centro das atenções do flag football de base brasileiro. Nos dias 17 e 18 de outubro, das 8h às 17h, o Centro Esportivo, Recreativo e Educativo do Trabalhador (CERET), no Tatuapé, recebe 78 atletas - 30 meninas e 48 meninos - convocados para o training camp avaliativo da Seleção Brasileira Sub-15, o Brasil Onças. O encontro marca o início formal de um processo que vai definir, ao longo dos próximos meses, quem vestirá a camisa do país nas próximas competições da categoria.
Primeira etapa de um processo longo
A comissão técnica deixa claro que a lista atual é apenas um ponto de partida, não um recorte final. Os jovens observados neste fim de semana continuarão sendo acompanhados no Campeonato Brasileiro de flag football de categorias de base, previsto para novembro, quando terão a chance de mostrar desempenho em competição oficial. Um segundo training camp avaliativo está programado para 2027, etapa que antecede a definição do grupo que efetivamente representará o Brasil. É um modelo de formação escalonado, que prioriza observação continuada em vez de uma convocação única e definitiva - prática cada vez mais comum em seleções de base de esportes em expansão no país.
Trabalho estrutural da CBFA desde 2025
Segundo Rakel Barros, vice-presidente da Confederação Brasileira de Flag American Football (CBFA), o training camp integra uma estratégia iniciada em junho de 2025 para fortalecer as categorias de base das seleções feminina e masculina. Para a dirigente, a vivência da rotina de convocação tem valor que vai além do aspecto técnico. "É muito importante que esses jovens tenham, desde cedo, a oportunidade de vestir a camisa da Seleção, conhecer a rotina de uma convocação e conviver com atletas de diferentes regiões e clubes. Essa experiência cria pertencimento e confiança, preparando-os para os desafios internacionais e para chegarem à categoria adulta mais conscientes do que significa representar o Brasil Onças", afirmou. O discurso reflete uma lógica recorrente em modalidades que crescem rapidamente no Brasil: formar identidade de seleção antes mesmo de garantir resultado competitivo.
Abrangência nacional e destaque para clubes paulistas
A lista de convocados reúne representantes de nove estados brasileiros, além de um atleta radicado no Panamá, sinal do alcance que o flag football já conquistou fora dos grandes polos tradicionais. Do total, as garotas correspondem a cerca de 38,5% dos convocados, enquanto os garotos somam aproximadamente 61,5% - uma distribuição que evidencia o crescimento, ainda que distinto, das duas vertentes da modalidade no país.
Entre as equipes, o Tribais, de São José dos Campos (SP), lidera com folga, com 13 atletas chamados. Na sequência aparecem três clubes com oito representantes cada: 4FUN (Santos-SP), Corinthians Steamrollers (São Paulo-SP) e First Down (São Paulo-SP). O Braves Academy, de Sorocaba (SP), contribui com seis nomes. Essa concentração no eixo paulista não surpreende: o estado de São Paulo é hoje um dos principais polos de desenvolvimento do flag football no Brasil, com estrutura de clubes e competições mais consolidada.
- Sentimento Lions (AM) e SOS Reviver (RJ): quatro atletas cada
- Caniballs (SP), T-Rex (SC), Touchdown do Bem (MG) e Vasco Almirantes (RJ): três atletas cada
- Calvary Cavaliers (PR), Esporte em Ação (DF) e Instituto Vale em Movimento (SC): dois atletas cada
- Outras nove equipes, incluindo o clube panamenho Black Eagles/Spartans/Seleção Kiwanis, contribuem com um atleta cada
O que vem pela frente
Com o training camp funcionando como primeiro filtro de observação, a atenção da comissão técnica se volta agora para o calendário competitivo. O desempenho dos atletas no Brasileiro de categorias de base, em novembro, deve pesar diretamente na composição do grupo que seguirá no radar da seleção até a avaliação final, marcada para 2027. Até lá, o processo seguirá sendo conduzido com cautela, sem lista fechada e com espaço para novos nomes surgirem ao longo do caminho - um percurso que reflete a maturidade crescente da gestão esportiva no flag football brasileiro, modalidade que vive momento de expansão acelerada no país.